Mais do que proteger a Eucaristia, ser coroinha é se colocar a serviço no dia a dia da igreja

No último domingo, 19, a Igreja Católica comemorou a festa da Assunção de Nossa Senhora e na comunidade matriz de São Jorge, a celebração de 7h30 foi dedicada aos coroinhas de nossa paróquia. A festa da Assunção de Nossa Senhora leva-nos a repensar todo o seu peregrinar neste mundo, pois se trata de celebrar o desfecho de sua caminhada. O fim da existência terrena de Maria consistiu na plenificação de todos os seus anseios de mulher de fé e disponível para servir.

A expressão “repleta de graça”, dita pelo anjo, encontrou sua expressão consumada na exaltação dela junto de Deus. A comunhão com Deus desdobrava-se, na vida de Maria, na sua disponibilidade a servir o próximo. A ajuda prestada à prima Isabel é uma pequena amostra do que era a Mãe de Deus no seu dia-a-dia.

Assunta ao céu, Maria experimentou, em plenitude, a comunhão vivida na Terra.

Coroinhas

No dia 15 de agosto a igreja comemorou o dia de São Tarcísio (padroeiro dos coroinhas). Em nossa paróquia, há três anos, a celebração de 7h30 do domingo subsequente é dedicada aos coroinhas. Em sua homilia, frei Rogério Correia lembrou do papel do coroinha que, a exemplo de São Tarcísio, protegem a Eucaristia e também se dedicam a outros serviços.

“São eles que abrem a igreja, ligam os condicionadores de ar, preparam o missal, o lecionário para as leituras e também estão sempre à disposição para atender a algum paroquiano. Quando algum paroquiano tem um mal-estar durante as celebrações se prontificam a atendê-lo, levando um copo d’água para que se sinta melhor. Isso é algo especial, é algo que me emociona”, afirmou.

E como forma de reconhecimento sobre a importância que os coroinhas têm nas celebrações, frei Rogério pediu para que ficassem de pé para a comunidade ver as crianças que desempenham esses e outros trabalhos. Ao final da celebração os acólitos apresentaram uma encenação dos trabalhos que realizam, além do trecho da história de São Tarcísio.

Experiência

Coroinha há seis anos da comunidade São Jorge, Silmara Rodrigues diz que o que ela mais gosta em ser coroinha é a união do grupo. “Há entre nós um espírito de ajuda mútua, é como uma família”, afirmou ela, que foi apoiada pelo restante do grupo.

Coordenadores do grupo da comunidade matriz, o casal André e Leila Pacheco realizam esse trabalho há oito anos, acompanhando as crianças, vendo-os se tornarem adolescentes e fazendo suas conquistas.

Como Leila gosta de dizer a “família coroinha” não faz apenas os serviços da igreja juntos, também realizam momentos de lazer como ir a pizzarias comemorar os aniversários dos integrantes do grupo, fazem pic nic, passeios e atividades sociais, como visitas a hospitais para levar alegria e amor.

As visitas são, para André, uma das atividades mais importantes dos coroinhas.

“Fazemos visitas a doentes, terço com os enfermos e em algumas datas comemorativas, como o dia dos pais, por exemplo, fazemos uma visita especial aos enfermos do pronto-socorro 28 de Agosto, com uma equipe de música e espalhando a Boa Nova para quem está ali. Para nós é importante sair, ser realmente igreja em saída”, afirmou.

Todas as crianças que já fizeram a primeira eucaristia e se sentirem chamados a este serviço podem procurar os coordenadores dos grupos de coroinhas das comunidades.

Curiosidade

Antigamente, o serviço do altar era feito pelos “meninos de coro”, meninos e adolescentes que participavam do coro das igrejas daí o termo “coroinha”. Coroinha ou acólito é aquela criança ou adolescente que presta serviço à igreja, ao sacerdote, e, principalmente, a Deus.

É bom lembrar que o Papa João Paulo II, em março de 1994, aprovou oficialmente a presença de coroinhas meninas como ajudantes nas celebrações litúrgicas.

História de São Tarcísio

Tarcísio era coroinha na Igreja de Roma, no ano 258 aproximadamente. Ele acompanhava o Papa Sisto II na Missa (esse Papa morreria no mesmo ano, por ser cristão). Nessa época, a missa era celebrada embaixo da terra, nas catacumbas, devido as perseguições do imperador romano, Valeriano.

Quando os cristãos eram presos, quase sempre eram mortos, e era costume levar a Eucaristia (às escondidas) para que eles não desanimassem e nem perdessem a fé. Um dia, às vésperas de um martírio de cristãos, era preciso levar a Eucaristia a eles. O problema, era a falta de pessoas que o fizessem. Foi quando Tarcísio se ofereceu para tal serviço. O Papa Sisto II e os demais cristãos que estavam nas catacumbas não concordaram com a ideia, pois Tarcísio poderia ser morto.

Tarcísio, porém, argumentou que por ser uma criança, ninguém desconfiaria dele. Afirmou, ainda, que preferia morrer a entregar a Eucaristia aos pagãos (pessoas que não acreditam em Deus) romanos. Após ter dito isso, seu nome foi aceito.

– Vai, Tarcísio – exclamou o Papa. Aqui estão as hóstias consagradas. Aqui está Jesus, que irás levar aos nossos irmãos prisioneiros. Que Ele te acompanhe. Vai, meu filho!

O pequeno coroinha subiu as escadinhas sombrias do subterrâneo e ganhou a rua. Parece que ninguém reparou naquele menino que caminhava um tanto fora da rua, com as mãos sobre o peito, guardando o bem mais precioso: A Sagrada Eucaristia.

Passando por um caminho, chamado de VIA ÁPIA, alguns garotos chamaram Tarcísio.

– Venha brincar conosco. Falta um parceiro para começar o jogo.

– Agora não posso. Vou levando um recado urgente. Na volta, sim.

– Queremos agora… Mas o que vai levando aí? Mostre-nos logo.

Ele se recusou. Os garotos insistiram, ameaçaram, empurraram. Ele resistia porque, pagãos como eram, poderiam profanar as sagradas espécies.

A resistência fez recrudescer o assanhamento dos garotos. Começaram a dar-lhe pontapés e pedradas. Tarcísio segurava com tanta firmeza o tesouro, que força alguma conseguiu arrancá-lo. Porém, eles espancaram e maltrataram Tarcísio sem piedade. Exausto e quase morto, segurava as Santas Hóstias com força sobrenatural. E, mesmo desmaiado, já quase morto, São Tarcísio não soltou o corpo de Cristo em suas mãos. Foi quando apontou ali um soldado, guarda do quarteirão. Era Quadrato que, às escondidas, costumava frequentar o culto dos cristãos.

Os moleques fugiram ao ver o soldado aproximar-se. Levantando do chão o pequeno mártir (pessoa que dá a vida por Jesus), exclamou surpreso e comovido:

– É o Tarcísio. Já vi esse menino nas catacumbas…

O pequeno mártir morreu nos braços do soldado, soltou o Corpo de Cristo, entregou a caixa de prata ao soldado. Depois de morto, o soldado levou seu corpo para as catacumbas, onde Tarcísio foi sepultado

Veneração

Ainda é possível ver inscrições e restos arqueológicos sobre São Tarcísio nas famosas catacumbas de São Calisto. As inscrições comprovam a veneração a São Tarcísio. O Santo Papa Damaso I fez uma inscrição em seu túmulo, que diz: “Enquanto um criminoso grupo de fanáticos se atirava sobre Tarcísio que levava a Eucaristia, o jovem preferiu perder a vida, antes que deixar aos raivosos o Corpo de Cristo”. Sua festa é celebrada no dia 15 de agosto.

– É o Tarcísio: o pequeno coroinha que, desde cedo amou Jesus Cristo na Sagrada Eucaristia, e é, para nós hoje, um exemplo a ser seguido.

Viva São Tarcísio, patrono dos coroinhas!

Por Marcus Vinícius

Fotos: Leila Pacheco

História de São Tarcísico/fontes:

https://sagradocoracaoformiga.com.br/15-de-agosto-dia-do-coroinha/

http://coroinhas.com.br/index.php/sao-tarcisio

https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-tarcisio/163/102/#c

 

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