Maria é coroada como rainha do céu e da terra em ‘Festa da Visitação’

No último dia 31 de maio a igreja católica festejou a Festa da Visitação de Nossa Senhora a sua prima Isabel. Nesta data, na igreja matriz de São Jorge a imagem de Nossa Senhora foi coroada em uma celebração que contou com a presença das imagens que representam a mãe de Jesus e nossa. Imagens que peregrinaram pelas casas dos fiéis católicos da comunidade São Jorge durante todo o mês mariano.

As homenagens a Maria tiveram início com o Terço dos Homens, que foi rezado em procissão até a igreja matriz, onde as imagens entraram em cortejo, embelezando ainda mais a celebração. O ponto alto da celebração, que culminou com a coroação de Nossa Senhora, foi a encenação da luta de Maria contra o inimigo de Deus. Luta que foi vencida por Maria, com o auxílio dos anjos do alto. A encenação foi realizada pelo grupo de jovens e adultos da comunidade São Francisco de Assis.

Conforme o pároco de São Jorge, frei José Maria Botelho a festa da visitação foi instituída pelos frades franciscanos, nasceu no coração do franciscanismo, do amor de São Francisco para com Nossa Senhora.

“Começamos o Mês Mariano festejando São José, ele que coloca Maria em evidência, que abre as portas para que possamos dedicar o mês a Maria. Assim como Maria fez com Isabel, neste mês ela também nos visitou, passou em nossas casas, encontrou nossas famílias e derramou muitas graças. Maria não retém nada, ela apresenta tudo a Jesus. Ela recolheu os muitos pedidos ao longo do mês e já colocou tudo aos pés de Jesus. Pedindo para que Ele atenda às súplicas’, disse.

Frei José Maria continuou falando da disposição de Maria a se colocar a caminho, a ir ao encontro de Isabel e falou que este encontro, certamente, foi muito iluminado e por isso nós lembramos dele até hoje. “Que possamos, inspirados por esta grande festa, nos colocar sempre a caminho, em peregrinação. Que esses encontros nos ajudem e que possamos ajudar a quem encontrarmos pelo caminho. Hoje estamos festejando também os muitos frutos alcançados no seio da nossa família e da comunidade paroquial”, falou.

Visitação de Nossa Senhora

Após a anunciação do anjo, Maria sai (apressadamente, diz Lucas) para visitar sua prima Isabel e prestar-lhe serviços. Ajuntando-se provavelmente a alguma caravana de peregrinos que vão à Jerusalém, passa a Samaria e atinge Ain-Karin, na Judeia, onde mora a família de Zacarias. É fácil imaginar os sentimentos que povoam sua alma na meditação do mistério anunciado pelo anjo. São sentimentos de humilde gratidão para com a grandeza e bondade de Deus, que Maria expressará na presença da prima com o hino do Magnificat, a expressão “do amor jubiloso que canta e louva o amado” (diz são Bernardino de Sena): “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador…”.

A presença do Verbo encarnado em Maria é causa de graça para Isabel que, inspirada, percebe os grandes mistérios que se operam na jovem prima, a sua dignidade de Mãe de Deus, a sua fé na palavra divina e a santificação do precursor, que exulta de alegria no ventre da mãe. Maria ficou com Isabel até o nascimento de João Batista, aguardando provavelmente outros oito dias para o rito da imposição do nome. Aceitando esta contagem do período passado junto com a prima Isabel, a festa da Visitação, de origem franciscana (os frades menores já a celebravam em 1263), era celebrada a dois de julho, isto é, ao término da visita de Maria. Teria sido mais lógico colocar a memória depois do dia 25 de março, festa da Anunciação, mas procurou-se evitar que caísse no período quaresmal.

A festa foi depois estendida a toda a Igreja Latina pelo papa Urbano VI para propiciar com a intercessão de Maria a paz e a unidade dos cristãos divididos pelo grande cisma do Ocidente. O sínodo de Basileia, na sessão do 1º de julho de 1441, confirmou a festividade da Visitação. O atual calendário litúrgico, não levando em conta a cronologia sugerida pelo episódio evangélico, abandonou a data tradicional de 2 de julho (antigamente a Visitação era celebrada também em outras datas) para fixar-lhe a memória no último dia de maio, como coroação do mês que a devoção popular consagra ao culto particular da Virgem.

“Na Encarnação — comenta são Francisco de Sales — Maria se humilha confessando-se a serva do Senhor… Porém, Maria não fica só na humilhação diante de Deus, pois sabe que a caridade e a humildade não são perfeitas se não passam de Deus ao próximo. Não é possível amar Deus que não vemos, se não amamos os homens que vemos. Esta parte realiza-se na Visitação”.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini

Por Michele Gouvêa

 

 

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