Igreja celebra hoje a festa da Apresentação do Senhor no Templo

Quarenta dias depois do Natal, a Igreja Católica celebra, nesta quinta-feira, 2/2, a Festa da Apresentação do Senhor. A data lembra o cumprimento, por Maria e José, de um preceito hebraico que dizia que, 40 dias após dar à luz, a mãe deveria passar por um ritual de “purificação” e consagrar o filho primogênito ao Senhor, no Templo.

A Igreja também recorda neste dia uma antiga devoção em que uma procissão luminosa relembrava o trajeto de Maria ao templo, por isso, a celebração de Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Candelária ou ainda Nossa Senhora da Luz neste dia.

Na liturgia atual a celebração recorda principalmente a figura de Jesus, mas manteve a tradicional bênção das velas dessa antiga tradição. O rito também tem origem nas palavras de Simeão referindo-se ao Menino, “Luz para iluminar a nações e glória de Israel, teu povo” (Lc 2. 32).

Significado

Neste dia fazia-se também a “purificação” da mãe, após o parto, prescrita pela lei. Não se tratava de purificar a consciência de Nossa Senhora, Virgem Imaculada, de alguma mancha de pecado, mas somente de readquirir a pureza ritual. Segundo as ideias do tempo, a mulher era atingida pelo simples fato do parto, sem que houvesse alguma culpa.

No Templo José e Maria encontram-se com Simeão, “homem justo piedoso, que esperava a consolação de Israel” (Lc. 2, 25). “O Espírito Santo estava nele” e “tinha-lhe revelado que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor” (2, 26). Simeão, “impelido pelo Espírito” (Lc. 2, 27), tomando o Menino nos braços, bendiz a Deus: “Agora, Senhor, podes deixar o Teu servo partir em paz, segundo a Tua palavra” (Lc. 2, 29).

Neste momento da Apresentação do Senhor, temos o encontro da “esperança de Israel com o Messias esperado” há tanto tempo e anunciado pelos profetas. A entrega do Menino por Maria a Simeão, simboliza a entrega do Filho de Deus aos homens pela Mãe. De Eva veio o pecado, de Maria, da Mãe a salvação.

E Simeão faz referência à profecia do “Servo de Javé”. A Ele o Senhor diz: “Formei-Te e designei-Te como aliança do povo e luz das nações” (Is. 42, 6). E ainda: “Vou fazer de ti luz das nações, a fim de que a Minha salvação chegue até aos confins da terra” (Is. 49, 6). “Os meus olhos viram a Salvação, que preparaste em favor de todos os povos: Luz para iluminar as nações e glória de Israel, Teu povo” (Lc. 2, 30-32).

José e Maria estavam admirados “com o que se dizia d’Ele” (Lc. 2, 23), e compreendem a importância do seu gesto de oferta: no Templo de Jerusalém apresentam Aquele que, sendo a glória do Seu povo, é também a salvação da humanidade inteira.

De modo especial hoje é dia dos Consagrados a Deus, todos aqueles que de uma forma ou de outra colocaram Deus como o centro da vida, deixaram as coisas do mundo e suas consolações, para servir ao Senhor, sem olhar para trás, como disse Jesus: “Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus.” (Lc 9, 62). É o dia de renovar esse voto tão difícil e suplicar a graça de Deus.

Não só os sacerdotes e religiosos, consagrados oficialmente pela Igreja, devem fazer hoje a sua consagração, mas todos os cristãos, pois, pelo Batismo, somos todos “consagrados” ao Senhor. Somos todos ovelhas do seu rebanho, “discípulos e missionários”. Os casados se consagram na “igreja doméstica”, na fidelidade ao cônjuge, no esmero da educação dos filhos e no serviço do Reino de Deus. São sacerdotes do lar, de onde nascem e se formam os filhos de Deus para um dia habitarem o céu.

 

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